Céu.. aos poucos

"Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe"
Esta é uma letra para qualquer altura mas especialmente para este tempo pascal.
É este o sentimento marcante do momento. Depois do deserto algo surje, que faz sentir que há um longe para onde levar. Não é um distante vazio, mas um longe para ir.
A morte, que antes era o fim, agora é o princípio. As mortes, que antes eram o fim e a perda, agora são o início e o nascer de um novo modo, o mitigar de limitações e incapacidades.
"Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar"
E o sentimento é tão forte que, apesar das dúvidas e do medo, a confiança fica por cima. O exemplo da liberdade interior, exteriorizada na força e na coragem da entrega, provocam uma vontade de seguir e ir ao encontro que transcende os próprios limites.
"E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre"
E para seguir muita coisa fica para trás, morre também. Porque esta morte quebra a monotonia do que sempre foi, acaba com o que já é.
"Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente"
Para dar lugar ao que vair ser. Para que a estabilidade possa ser dinâmica e progressiva. É esta morte que vai fazer diferença, porque conduz a mais vida.
"E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim"
É hoje, é neste tempo da páscoa, é todos os dias. Não tenho dúvidas na Sua ressurreição, sinto-a dentro de mim. Sinto que não há qualquer fim se eu me deixar conduzir por esta força.
obrigado Jesus por dares vida à morte
obrigado Mafalda por deixares correr em ti a seiva do tronco que faz dar
frutos como esta música

2 Comments:
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
"Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu...
É que hoje parece bastar um pouco de céu."
Sei que cada vez que abandono o que me prende e me deixo levar há algo que nasce que é muito maior que eu, que parece extravasar-me e nao ter limites.
Obrigado pela graça de poder sentir e viver este milagre.
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